Tendências na alocação do tempo no Brasil: trabalho e lazer

Ana Luiza Neves de Holanda Barbosa

Resumo


O objetivo deste artigo é documentar as tendências na alocação do tempo no Brasil entre 2001 e 2015. Em particular, pretende-se analisar a evolução das jornadas semanais de trabalho no mercado e em afazeres domésticos, além do tempo semanal dedicado ao lazer. A análise é feita por gênero e tem como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os resultados revelam que os homens desfrutam de mais horas de lazer do que as mulheres, ainda que haja uma tendência de redução dessa diferença ao longo do tempo. Há uma elevação do tempo dedicado ao lazer para ambos os sexos, mas este aumento se dá de forma mais acentuada para as mulheres. Os resultados mostram ainda que a ampliação do número de horas de lazer ao longo do período foi ocasionada por razões diversas entre homens e mulheres. Para eles, a elevação do lazer (de quatro horas semanais) pode ser explicada pela redução expressiva nas horas trabalhadas no mercado, enquanto para elas, o ganho de sete horas semanais de lazer deve-se à redução nas horas dedicadas aos afazeres domésticos.


Palavras-chave


Uso do tempo; lazer; oferta de trabalho; gênero

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DOI: https://doi.org/10.20947/s102-3098a0063

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