Exposições ambientais e leucemias na infância no Brasil: uma análise exploratória de sua associação

Autores

  • Jeniffer Dantas Ferreira ENSP, Fiocruz/RJ
  • Arnaldo Cézar Couto ENSP, Fiocruz/RJ
  • Luciana Correia Alves ENSP, Fiocruz/RJ
  • Maria do Socorro Pombo de Oliveira Instituto Nacional de Câncer/RJ
  • Sergio Koifman ENSP, Fiocruz/RJ
  • Membros do Brazilian Collaborative Study Group of Infant Acute Leukemia Instituto Nacional de Câncer/RJ

Palavras-chave:

Leucemia, Infância, Exposições ambientais, Análise fatorial, Regressão logística

Resumo

O presente estudo objetiva explorar as relações inaparentes que diversos fatores relativos às exposições ambientais e características individuais existentes em nosso meio possam ter no processo de desenvolvimento da leucemia na infância. A partir de um banco de dados clínicos e epidemiológicos obtido com estudo caso-controle de base hospitalar sobre fatores de risco para leucemias na infância, foi realizada análise multivariada exploratória por meio do emprego de análise de componentes principais e análise fatorial. Esta investigação é parte de um estudo multicêntrico nacional, que incluiu 292 casos de leucemias em crianças com idade entre 0 e 12 anos e 541 controles da mesma faixa etária, hospitalizados por causas não neoplásicas em hospitais gerais próximos aos centros de origem dos casos. As informações de exposições ambientais selecionadas foram obtidas por meio de entrevistas realizadas com mães de casos e controles, por meio de questionário padronizado. O modelo com maior poder explicativo da variância observada nos dados analisados foi da ordem de 52%, apresentando três fatores considerados mais adequados na predição da leucemogênese na infância, cada um incluindo variáveis com cargas fatoriais maiores que 0,6: fator “condições relacionadas a exposições químicas na gestação”, o qual explicou 20% da variância final e incluiu as variáveis exposição a pesticidas, exposição a solventes e exposição a tintas na gravidez; fator “hábitos de vida durante a gestação”, tendo explicado 17% da variância e incluindo exposição a tinturas de cabelo e cosméticos para alisamento; e fator “consumo de serviços de saúde durante a gestação”, explicando 15% da variância e incluindo as variáveis tipo de parto (cesariana ou parto normal) e uso de radiografia na gestação. Na análise de regressão logística, foi encontrada associação estatisticamente significativa entre o desenvolvimento de leucemias na infância e antecedentes de exposição química materna durante a gestação (OR=1,36; 95% IC=1,16-1,59) e consumo de serviços de saúde durante a gestação (OR=1,27; 95%IC =1,08-1,49). Os resultados encontrados são sugestivos quanto à contribuição conjunta das exposições ambientais, e não apenas individualizadas, no desenvolvimento das leucemias na infância, sendo apoiados pelas evidências na literatura de que o processo de carcinogênese, em geral, e o da leucemogênese, em particular, resultem de efeitos de múltiplas mutações relacionadas a exposições ambientais conjuntas.

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Publicado

2012-12-01

Como Citar

Ferreira, J. D., Couto, A. C., Alves, L. C., Oliveira, M. do S. P. de, Koifman, S., & Brazilian Collaborative Study Group of Infant Acute Leukemia, M. do. (2012). Exposições ambientais e leucemias na infância no Brasil: uma análise exploratória de sua associação. Revista Brasileira De Estudos De População, 29(2), 477–492. Recuperado de https://www.rebep.org.br/revista/article/view/43

Edição

Seção

Artigos originais