Análise de paradados do Censo Demográfico 2010: uma investigação de fatores associados a erros não amostrais do levantamento de dados

  • Luciano Tavares Duarte Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
  • Denise Britz do Nascimento Silva ESCOLA NACIONAL DE CIÊNCIAS ESTATÍSTICAS – ENCE
  • Jose Andre de Moura Brito ESCOLA NACIONAL DE CIÊNCIAS ESTATÍSTICAS – ENCE
Palavras-chave: Censo Demográfico brasileiro. Paradados. Modelos hierárquicos. Erros não amostrais.

Resumo

A relevância de um Censo Demográfico para o sistema de estatísticas públicas de uma nação é indiscutível do ponto de vista de sua abrangência temática e territorial. Em contrapartida, sua complexidade e dimensão levam a desafios na garantia da qualidade de seus resultados. O presente artigo tem por objetivo apresentar os possíveis fatores associados a erros não amostrais detectados na coleta das informações, mediante a análise de paradados e dos microdados do Censo Demográfico brasileiro de 2010. Os dados utilizados provêm das informações sobre a operação de coleta e administração da pesquisa oriundas, respectivamente, do sistema de gerenciamento de recursos humanos do pessoal de coleta e do sistema de supervisão da operação de coleta, ou seja, os paradados. Também se utilizam os microdados do universo do Censo Demográfico. Neste estudo foram analisadas as divergências observadas entre as informações coletadas pelos recenseadores e aquelas obtidas por supervisores nas reentrevistas realizadas em procedimentos de supervisão do trabalho de campo. Para análise de divergências detectadas entre os dados coletados por recenseadores e supervisores, foram empregados modelos hierárquicos generalizados. Os resultados mostram que existem diferenciais nas divergências associados à estrutura de coleta dos dados e às características dos recenseadores, supervisores e informantes, além de revelarem diferenças regionais. Fica evidente, sobretudo, uma forte influência das características do informante nas chances de ocorrência das divergências, em detrimento das características dos supervisores e recenseadores. Os resultados da modelagem estatística sugerem que as entrevistas realizadas com informantes do sexo masculino, analfabetos ou com baixa escolaridade, mais velhos e que vivem em domicílios com indicadores que refletem condições de vida menos satisfatórias apresentam aumento nas chances em favor da ocorrência de divergências entre respostas coletadas por recenseador e supervisor.

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Biografia do Autor

Luciano Tavares Duarte, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Possui graduação em Estatística pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas (1997) e mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais pela ESCOLA NACIONAL DE CIÊNCIAS ESTATÍSTICAS (2014). Atualmente é tecnologista de inf. geog. e estatísticas da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Tem experiência na área de Estatísticas Públicas, com ênfase em Qualidade das Estatísticas Populacionais, atuando principalmente nos seguintes temas: Métodos de Controle da Qualidade na Produção de Estatísticas Populacionais, Modelos Hierárquicos e Paradados.
Denise Britz do Nascimento Silva, ESCOLA NACIONAL DE CIÊNCIAS ESTATÍSTICAS – ENCE
Possui graduação em Estatística pela Escola Nacional de Ciências Estatísticas (1985), mestrado em Estatística pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1992) e doutorado em Estatística pela University of Southampton (1996). Atualmente é pesquisadora da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística onde atua como Coordenadora da Coordenação de Treinamento e Aperfeiçoamento e pesquisadora da Escola Nacional de Ciências Estatísticas. É vice-presidente do Instituto Interamericano de Estatística e secretária científica da International Association of Survey Statisticians. Tem experiência na área de Probabilidade e Estatística, com ênfase em Probabilidade e Estatística Aplicadas, atuando principalmente nos seguintes temas: análise de dados amostrais, estimação em pequenas áreas/domínios, modelagem estatística e análise de séries temporais de pesquisas amostrais.
Jose Andre de Moura Brito, ESCOLA NACIONAL DE CIÊNCIAS ESTATÍSTICAS – ENCE
Tem bacharelado em Matemática pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1997), Mestrado em Engenharia de Sistemas e Computação (Otimização) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1999), Doutorado em Engenharia de Sistemas e Computação (Otimização) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2004) e Pós-Doutorado em Otimização na Universidade Federal Fluminense (2008). Atualmente é professor da Escola Nacional de Ciências e Estatística (ENCE/IBGE), onde leciona disciplinas na graduação e no mestrado. Também é editor associado e editor executivo da Revista Brasileira de Estatística (RBE). Tem experiência nas áreas de Otimização, Estatística e Computação, atuando principalmente nos seguintes temas: Metaheurísticas, Programação Inteira, Otimização Combinatória, Programação Não Diferenciável e Suavização, Análise de Algoritmos, Análise de Agrupamentos e Amostragem.
Publicado
2016-12-31
Como Citar
Duarte, L. T., Silva, D. B. do N., & Brito, J. A. de M. (2016). Análise de paradados do Censo Demográfico 2010: uma investigação de fatores associados a erros não amostrais do levantamento de dados. Revista Brasileira De Estudos De População, 33(3), 679-701. https://doi.org/10.20947/S0102-30982016c0011
Seção
Artigos originais